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domingo, 2 de novembro de 2008

o canto brasileiro de paulo césar pinheiro

Compositor iluminado, com a mente e o coração sempre acesos para a criatividade, Paulo César Pinheiro escreve sua vida na história da música popular brasileira, e a engrandece. Autor de composições belíssimas, pra lá de mil, nascidas das mais diversas parcerias: Baden Powell, João Nogueira, Eduardo Gudin, entre tantos outros, Paulo César é sem dúvida dos mais frutíferos e competentes compositores/poetas de nossos tempos. Suas músicas marcam, emocionam, nos identificam e nos inspiram – como vocês podem comprovar aqui ouvindo as faixas que selecionamos de seu vasto repertório.







Seleção musical: Bruno Ribeiro e Ricardo Pereira.

1.“PESADELO”(Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro) – MÁRCIA, EDUARDO GUDIN & PAULO CÉSAR PINHEIRO
In: O importante é que a nossa emoção sobreviva n.2, 1976.

2. “MINHAS ESQUINAS”(Paulo César Pinheiro) – PAULO CÉSAR PINHEIRO
In: Paulo César Pinheiro, 1980.

3. “E LÁ VOU EU”(João Nogueira/Paulo César Pinheiro) – JOÃO NOGUEIRA & PAULO CÉSAR PINHEIRO
In: Parceria, 1994.

4. “O PODER DA CRIAÇÃO”(João Nogueira/Paulo César Pinheiro) – JOÃO NOGUEIRA & PAULO CÉSAR PINHEIRO
In: Parceria, 1994.

5. “ESPELHO”(João Nogueira/Paulo César Pinheiro) – JOÃO NOGUEIRA
In: Espelho, 1977.

6. “CANTO DAS TRÊS RAÇAS”(Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte) – CLARA NUNES
In: Canto das Três Raças, 1976.

7. “MENINO DEUS”(Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte) – CLARA NUNES
In: Alvorecer, 1974.

8. “SAGARANA”(Paulo César Pinheiro/João de Aquino) – CLARA NUNES
In: As Forças da Natureza, 1977.

9. “PORTELA NA AVENIDA”(Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte) – CLARA NUNES
In: Clara, 1981.

10. “MAIOR É DEUS”(Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro) – BETH CARVALHO
In: Canta o Samba de São Paulo, 1993.

11. “CICATRIZES”(Miltinho/Paulo César Pinheiro) – ROBERTO RIBEIRO
In: Sangue, Suor e Raça, 1972.

12. “E LÁ SE VÃO MEUS ANÉIS”(Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro) – OS ORIGINAIS DO SAMBA
In: O Samba é a Corda... Os Originais A Caçamba, 1972.

13. “AVISO AOS NAVEGANTES”(Baden Powell/Paulo César Pinheiro) – ELIS REGINA
In: Ela, 1971.

14. “LAPINHA”(Baden Powell/Paulo César Pinheiro) – SÉRGIO MENDES & BRASIL 66’
In: Fool on the hill, 1969.

15. “Ultima Forma”(Baden Powell/Paulo César Pinheiro) – MPB-4
In: Cicatrizes, 1972.

16. “REFÉM DA SOLIDÃO”(Baden Powell/Paulo César Pinheiro) – ELIZETH CARDOSO & RAPHAEL RABELLO
In: Todo o sentimento, 1991.

17. “VIAGEM”(Paulo César Pinheiro/João de Aquino) – MARISA GATA MANSA
In: Viagem, 1973.

18. “CORDILHEIRA”(Paulo César Pinheiro/Sueli Costa) – SIMONE
In: Pedaços, 1979.

19. “TÔ VOLTANDO”(Paulo César Pinheiro/Maurício Tapajós) – SIMONE
In: Pedaços, 1979.

20. “DESENREDO”(Dori Caymmi/Paulo César Pinheiro) – EDU LOBO & DORI CAYMMI
In: Tempo Presente, 1980.

21. “VENTO BRAVO”(Edu Lobo/Paulo César Pinheiro) – EDU LOBO
In: Edu Lobo, 1973.

22. “MATITA PERÊ”(Tom Jobim/Paulo César Pinheiro) – TOM JOBIM
In: Matita Perê, 1973.

23. “VIOLÃO”(Paulo César Pinheiro/Sueli Costa) – FÁTIMA GUEDES
In: Pra Bom Entendedor, 1993.

24. “SACI”(Guinga/Paulo César Pinheiro) – MONICA SALMASO
In: Trampolim, 1998.

25. “SAUDADES DA GUANABARA”(Aldir Blanc/Paulo César Pinheiro/Moacyr Luz) – MOACYR LUZ
In: Pirajá – Esquina Carioca – Uma noite com a raiz do samba, 1999.

26. “AS FORÇAS DA NATUREZA”(João Nogueira/Paulo César Pinheiro) – TERESA CRISTINA
In: Um Ser de Luz – Saudação à Clara Nunes, 2003.

27. “LEÃO DO NORTE”(Paulo César Pinheiro/Lenine) – LENINE
In: Olho de Peixe, 1993.

28. “MORDAÇA”(Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro) – MÁRCIA, EDUARDO GUDIN & PAULO CÉSAR PINHEIRO
In: O importante é que a nossa emoção sobreviva, 1975.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

choros, chorinhos & chorões

Chorinho (1942), de Cândido Portinari


O choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero musical com raízes brasileiras, com mais de 130 anos de existência. Apesar do nome, que a primeira vista pode lembrar tristeza, é um ritmo agitado e alegre, caracterizado pelo virtuosismo e improviso dos participantes, chamados de chorões. O chorinho é considerado pelos especialistas e historiadores de música, a primeira música popular brasileira urbana, e surgiu no Rio de Janeiro, como uma forma ‘abrasileirada’ de executar ritmos vindos da Europa. O choro teve grandes mestres na sua história, como Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim e Altamiro Carrilho, dentre outros. Na seqüência você ouve estes e outros artistas numa seleção de choro que mostra um pouco da história e da vitalidade deste gênero genuinamente brasileiro.





Seleção musical: Ricardo Pereira.

1.“BRASILEIRINHO”(Waldir Azevedo) – YAMANDÚ COSTA.
In: Brasileirinho, 2005.

2. “SONS DE CARRILHÕES”(João Pernambuco) – YAMANDÚ COSTA & PAULO MOURA
In: El Negro Del Branco, 2004.

3. “TICO-TICO NO FUBÁ”(Zequinha de Abreu) – ARMANDINHO & RAPHAEL RABELLO
In: Em Concerto, 1997.

4. “NOITES CARIOCAS”(Jacob do Bandolim) – A COR DO SOM
In: Acústico, 2005.

5. “PEDACINHO DO CÉU”(Waldir Azevedo) – WALDIR AZEVEDO, 1951.

6. “DELICADO”(Waldir Azevedo) – WALDIR AZEVEDO, 1950.

7. “BREJEIRO”(Ernesto Nazareth) – JACOB DO BANDOLIM
In: In Memoriam, 1996.

8. “VIBRAÇÕES”(Jacob do Bandolim) – JACOB DO BANDOLIM & ÉPOCA DE OURO
In: Vibrações, 1967.

9. “OS PINTINHOS DO TERREIRO”(Zequinha de Abreu) – QUINTETO VILLA-LOBOS
In: Quinteto Villa-Lobos interpreta, 1977.

10. “O URUBU E O GAVIÃO”(Pixinguinha) – PIXINGUINHA, 1930.
In: Pixinguinha e seu tempo.

11. “LAMENTO”(Pixinguinha/Vinicius de Moraes) – CYRO MONTEIRO
In: Vinicius: Poesia e Canção Vol. II, 1966.

12. “LUA BRANCA”(Chiquinha Gonzaga) – SILVIO CALDAS

13. “GAÚCHO (Cá e Lá – O Corta Jaca)”(Chiquinh Gonzaga) – ALTAMIRO CARRILHO
In: Rio Antigo, 1961.

14. “FLOR DO ABACATE”(Álvaro Sandim) – ALTAMIRO CARRILHO
In: Altamiro Carrilho e sua bandinha na TV, 1957.

15. “BEM-TE-VI TRISTONHO”(Altamiro Carrilho) – ALTAMIRO CARRILHO
In: Flauta Maravilhosa, 1997.

16. “ANDRÉ DE SAPATO NOVO”(André Victor Correia) – SIVUCA
In: Vê se gostas, 1959.

17. “ESPINHA DE BACALHAU”(Severino Araújo) – ORQUESTRA TABAJARA
In: Série Depoimento Vol.I, 1975.

18. “CARINHOSO”(Pixinguinha) – TOM JOBIM
In: Tide, 1971.

19. “DOCE DE COCO”(Hermínio Bello de Carvalho/Jacob do Bandolim) – ELIZETH CARDOSO & RAPHAEL RABELLO
In: Todo o sentimento, 1991.

20. “JAMAIS”(Luiz Bittencourt/Jacob do Bandolim) – ELIZETH CARDOSO, JACOB DO BANDOLIM e ÉPOCA DE OURO
In: Ao Vivo no Teatro João Caetano – vol.1, 1968.

21. “NAQUELA MESA”(Sergio Bittencourt) – ELIZETH CARDOSO part. esp. Sergio Bittencourt
In: Preciso aprender a ser só, 1972.

22. “INGÊNUO”(Benedito Lacerda/Pixinguinha) – MARISA GATA MANSA
In: Viagem, 1973.

23. “CHORO CHORADO”(Paulinho Nogueira) – PAULINHO NOGUEIRA
In: Tons & Semitons, 1986.

24. “ODEON”(Ernesto Nazareth/Vinicius de Moraes) – FERNANDA TAKAI
In: Onde brilhem os olhos seus, 2007.

25. “VOU VIVENDO”(Pixinguinha/Benedito Lacerda/Hermínio Bello de Carvalho) – CRISTINA BUARQUE & SÉRGIO RICARDO
In: Agô Pixinguinha, 1997.

sábado, 18 de outubro de 2008

cartola especial

“Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve” – Nelson Sargento


“Em Mangueira/ quando morre um poeta/ todos choram” – estes são versos da música Pranto de Poeta, de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, gravada em 1977 por Cartola no disco “Verde que te quero rosa”. Símbolo de uma escola e do samba carioca, Cartola completaria 100 anos de idade em 11 de outubro de 2008. Uma data especial como esta não poderíamos deixar passar em branco, o programa de hoje é todo ele dedicado ao compositor e intérprete Cartola, são 26 músicas selecionadas por Bruno Ribeiro e Ricardo Pereira, muitas delas na voz do próprio, outras registradas por nomes consagrados da nossa MPB: Elis, Chico, Gil, Fagner, dentre outros. Porque de Cartola não se deve lembrar com pesar como diz a letra, nada de choro pois “o pranto em Mangueira/ é tão diferente/ é um pranto sem lenço/ que alegra a gente”.




1.“ALVORADA”(Carlos Cachaça/Cartola/Hermínio Bello de Carvalho) – CARTOLA
In: Cartola, 1974.

2. “ALEGRIA”(Cartola) – CARTOLA
In: Cartola, 1974.

3. “MINHA”(Cartola) – CARTOLA
In: Cartola II, 1976.

4. “SILÊNCIO DE UM CIPRESTE”(Carlos Cachaça/Cartola) – CARTOLA
In: Cartola 70 Anos, 1979.

5. “PRECONCEITO”(Cartola) – CARTOLA
In: Cartola – Nova História da Mùsica Popular Brasileira, 1977.

6. “NÃO POSSO VIVER SEM ELA”(Bide/Cartola) – CARTOLA
In: Cartola II, 1976.

7. “AUTONOMIA”(Cartola) – CARTOLA
In: Verde que te quero rosa, 1977.

8. “PRANTO DE POETA”(Guilherme de Brito/Nelson Cavaquinho) – CARTOLA
In: Verde que te quero rosa, 1977.

9. “O SAMBA DO OPERÁRIO”(Alfredo Português/Cartola/Nelson Sargento) – NELSON SARGENTO
In: Entre Amigos, 1984.

10. “O SOL NASCERÁ”(Cartola/Elton Medeiros) – NARA LEÃO
In: Nara Leão, 1964.

11. “AMOR PROIBIDO”(Cartola) – PAULINHO DA VIOLA & ELTON MEDEIROS
In: Cartola – Bate Outra Vez, 1988.

12. “NÃO QUERO MAIS AMAR A NINGUÉM”(Zé da Zilda/Carlos Cachaça/Cartola) – PAULINHO DA VIOLA
In: Nervos de Aço, 1973.

13. “TEMPOS IDOS”(Cartola/Carlos Cachaça) – PAULINHO DA VIOLA
In: Sinal Aberto, 1999.

14. “ACONTECE”(Cartola) – GAL COSTA
In: Temporada de Verão, 1975.

15. “AS ROSAS NÃO FALAM”(Cartola) – FAGNER
In: Eu Canto – Quem Viver Chorará, 1978.

16. “BASTA DE CLAMARES INOCÊNCIA”(Cartola) – ELIS REGINA
In: Essa Mulher, 1979.

17. “FESTA DA VINDA”(Nuno Veloso/Cartola) – LENY ANDRADE
In: Cartola 80 Anos, 1987.

18. “CORDAS DE AÇO”(Cartola) – BETH CARVALHO
In: Beth Carvalho Canta Cartola, 2003.

19. “TIVE SIM”(Cartola) – DONA IVONE LARA
In: Cartola – Bate Outra Vez, 1988.

20. “O MUNDO É UM MOINHO”(Cartola) – CAZUZA
In: Cartola – Bate Outra Vez, 1988.

21. “ENSABOA (lamento da lavadeira)” (Cartola – Monsueto) – MARISA MONTE
In: Mais, 1991.

22. “CORRA E OLHE O CÉU”(Cartola/Dalmo Castello) – VÂNIA BASTOS
In: Cartola – Bate Outra Vez, 1988.

23. “DIVINA DAMA”(Cartola) – CHICO BUARQUE
In: Chico Buarque de Mangueira, 1998.

24. “PEITO VAZIO”(Cartola/Elton Medeiros) – NEY MATOGROSSO
In: Ney Matogrosso interpreta Cartola, 2003.

25. “DISFARÇA E CHORA”(Cartola/Dalmo Castello) – ZELIA DUNCAN
In: Eu Me Transformo em Outras, 2004.

26. “CIÊNCIA E ARTE”(Cartola/Carlos Cachaça) – GILBERTO GIL

In: Quanta, 1997.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

aqui é o meu país especial dorival caymmi

Quando soube pela imprensa da morte do cantor e compositor Dorival Caymmi, lamentei pela perda. Mas logo me confortei por saber que este baiano de fala mansa deixava um legado incomparável. Dias depois, Bruno e eu conversávamos a respeito de sua morte e era incrível a quantidade de músicas marcantes que em poucos tempo lembramos e assobiamos comovidos. Todo o seu repertório trazia a essência da sua existência e a de um povo simples que ele entoava nas canções que fazia ao contemplar o mar, ao observar de perto a vida e a tragédia dos trabalhadores do mar, contada na Suíte dos Pescadores. Autor de canções que se tornaram patrimônio da cena musical nacional como Dora, É Doce Morrer No Mar, O Samba da Minha Terra, Marina, entre tantas, Caymmi com todo o dengo e paciência característico do autêntico baiano, criou sua arte ao sabor do tempo, sem seguir modismos. Não é à-toa que essa profunda relação de amor entre Caymmi e sua terra natal fez dele seu maior poeta e cantor. Essa fidelidade com as coisas e as pessoas do lugar fez dele, segundo Jorge Amado, “o cantor das graças da Bahia”. O mestre Tom Jobim também sentenciou: “Acho o Caymmi ilimitado como o mar que ele canta”. E era mesmo. Simples, poético, profeta. “Pobre de quem acredita/ na glória e no dinheiro para ser feliz”, sentenciava Caymmi em sua canção batizada de Saudade da Bahia. No programa de hoje um especial especialíssimo: são 28 canções, todas de sua autoria, muitas delas interpretadas pelo próprio Caymmi. A previsão inicial era selecionarmos apenas dez músicas – mas como selecionar apenas dez se apenas 28 já é difícil?








Seleção musical: Bruno Ribeiro e Ricardo Pereira.

1. “A JANGADA VOLTOU SÓ”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Dorival Caymmi e seu violão, 1954.

2. “A LENDA DO ABAETÉ”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Dorival Caymmi, 1948.

3. “A PRETA DO ACARAJÉ”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Caymmi, 1972.

4. “A VIZINHA DO LADO”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Eu não tenho onde morar, 1960.

5. “MARACANGALHA”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Eu vou pra Maracangalha, 1957.

6. “NEM EU”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Dorival Caymmi, 1952.

7. “DOIS DE FEVEREIRO”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Dorival Caymmi, 1957.

8. “SAUDADES DA BAHIA”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI & TOM JOBIM
In: Caymmi visita Tom, 1964.

9. “CANTO DE NANA”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Caymmi, 1972.

10. “O BEM DO MAR”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI
In: Caymmi também é de rancho, 1973.

11. “SUÍTE DOS PESCADORES”(Dorival Caymmi) – DORIVAL CAYMMI & QUARTETO EM CY
In: Vinicius e Caymmi no Zum Zum, 1967.

12. “É DOCE MORRER NO MAR”(Dorival Caymmi) – CLARA NUNES
In: Clara Nunes, 1973.

13. “DORA”(Dorival Caymmi) – TOQUINHO & VINICIUS
In: Toquinho & Vinicius, 1997.

14. “VESTIDO DE BOLERO”(Dorival Caymmi) – NANA CAYMMI
In: Atrás da Porta, 1977.

15. “O QUE É QUE A BAIANA TEM”(Dorival Caymmi) – CLARA NUNES
In: Alvorecer, 1974.

16. “O VENTO”(Dorival Caymmi) – GAL COSTA
In: Gal canta Caymmi, 1976.

17. “SÓ LOUCO”(Dorival Caymmi) – GAL COSTA
In: Gal canta Caymmi, 1976.

18. “NUNCA MAIS”(Dorival Caymmi) – NANA CAYMMI
In: Atrás da Porta, 1977.

19. “O SAMBA DA MINHA TERRA”(Dorival Caymmi) – NOVOS BAIANOS
In: Novos Baianos F.C., 1973.

20. “ALEGRE MENINA”(Dorival Caymmi/Jorge Amado) – DJAVAN
In: Gabriela – trilha sonora original, 1975.

21. “MODINHA PARA GABRIELA”(Dorival Caymmi) – GAL COSTA
In: Gabriela – trilha sonora original, 1975.

22. “MARINA”(Dorival Caymmi) – GILBERTO GIL
In: Realce, 1979.

23.“MARICOTINHA”(Dorival Caymmi) – TOM JOBIM & DORIVAL CAYMMI
In: Antônio Brasileiro, 1994.

24.“VAMOS FALAR DE TEREZA”(Dorival Caymmi/Danilo Caymmi) – DORIVAL & DANILO CAYMMI
In: Danilo Caymmi, 1992.

25. “O MAR”(Dorival Caymmi) – SÉRGIO RICARDO
In: Dorival Caymmi Songbook, 1994.

26. “NOITE DE TEMPORAL”(Dorival Caymmi) – VIRGINIA RODRIGUES
In: Sol Negro, 1997.

27. “QUEM VEM PRA BEIRA DO MAR”(Dorival Caymmi) – ADRIANA CALCANHOTO & DORIVAL CAYMMI
In: Maritmo, 1998.

28. “SARGAÇO MAR”(Dorival Caymmi) – ADRIANA CALCANHOTO
In: Maré, 2008.

Na próxima edição de Aqui É O Meu País: Choros, chorinhos e chorões.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

aqui é o meu país # 1

Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes


Estamos no ar. A partir de hoje você começa a conhecer a nossa proposta, ouvir a Rádio Blogue e participar também da sua programação, sugerindo, opinando, criticando, aliás, este nosso primeiro programa dedicado à música popular brasileira é um prato cheio para isso, fruto de um desafio que Bruno Ribeiro e eu nos propomos, estendemos o mesmo desafio ao nosso ouvinte: apontar dentre o vasto repertório da nossa música àquelas que seriam as dez mais representativas, marcantes, que entraram para a sua história, resistiram ao tempo e que basta ouvirmos seus primeiros acordes para identificarmos, portanto, não se trata de escolher unicamente àquelas de que mais gostamos por questões íntimas, pessoais, particulares, muito embora, todas as listadas nos emocione também, faça vibrar nossos corações, sentir orgulho dos compositores que temos e do país que ‘cantaram’ em seus versos. Estou ficando ufanista? Exagero? Bom, depois de ouvirem a lista que o Bruno e eu fizemos, conversaremos melhor.


Seleção musical: Bruno Ribeiro e Ricardo Pereira.


CARINHOSO (Pixinguinha/João de Barro) –
a mais antiga entre as listadas, o choro “Carinhoso” foi composto por Pixinguinha em 1917, mas somente vinte anos depois receberia a belíssima letra de João de Barro (o Braguinha). Apesar de gravado pela primeira vez em 1928, pela Orquestra Típica-Pixinguinha, foi somente a partir do momento em que pôde ser cantado que “Carinhoso” se tornaria um dos maiores clássicos da MPB, registrado em disco por Orlando Silva. Você ouve aqui a gravação feita por Elis Regina em 1966, acompanhada pelo violão de Paulinho Nogueira e pelo Regional do Caçulinha, num dos momentos mais belos da música brasileira.

AQUARELA DO BRASIL (Ary Barroso) –
Nada contra Joaquim Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva, mas o hino nacional deveria ser "Aquarela do Brasil". Com ela, Ary Barroso criou o gênero 'samba-exaltação', composição ufanista nos versos, de orquestração e interpretação grandiloqüentes, que marcaria boa parcela das músicas produzidas durante o Estado Novo (1937-1945). Gravada originalmente por Francisco Alves, em 1939, a versão que escolhemos para apresentá-la aqui é bem mais recente, de 1980, extraída exatamente de um disco que a cantora Gal Costa dedicou inteiramente à obra de Ary.

ASA BRANCA (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – Composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e lançada em maio de 1947, Asa Branca é a música que melhor identifica o nordeste brasileiro em seu longo trajeto de convívio penoso com a seca. Asa Branca foi eleita pela Academia Brasileira de Letras em 1997 a segunda canção brasileira mais marcante do século XX, empatada com "Carinhoso", e atrás apenas de "Aquarela do Brasil". Embora existam muitas versões para Asa Branca, nada melhor que ouvi-la na voz do Rei do Baião.

CHEGA DE SAUDADE (Antonio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes) –
Considerada o marco inicial da Bossa Nova, "Chega de Saudade" aparece pela primeira vez em disco em 1958, no long-play "Canção do Amor Demais" de Elizeth Cardoso, acompanhada pela batida diferente do violão de João Gilberto. No mesmo ano, ela seria gravada por João num disco que leva o mesmo nome da canção. É justamente esta a versão que você ouve aqui.

GAROTA DE IPANEMA (Antonio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes) –
Tom e Vinicius são os únicos compositores a emplacarem mais de uma composição nesta lista, um sintoma da importância de ambos na História da Música Popular Brasileira. Composta em 1962, “Garota de Ipanema” é com certeza a nossa música mais conhecida no mundo. Aqui ela aparece na voz de Dick Farney num dos melhores registros desta obra que conheço: melhor que Sinatra.

TROPICÁLIA (Caetano Veloso) –
Espécie de canção-manifesto do movimento musical conhecido como Tropicália que estoura no Brasil na segunda metade da década de 1960, mais precisamente em 1968, trazendo à frente Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, Capinam, Torquato Neto, Rogério Duprat e Os Mutantes. A Tropicália retomou o que os modernistas de 1922 começaram a fazer e que ninguém nunca havia tido coragem de continuar: usar elementos dos mais variados, dos arranjos mais diferentes, desde o clássico ao baião, acrescentando também elementos pop, usando nas letras diferentes colagens visuais e discussões estéticas, além de pensamentos revolucionários - uma proposta comportamental que acabou rendendo problemas com a ditadura militar.

FOI UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA (Paulinho da Viola) –
Foi o maior sucesso de 1970. Estourou em todo o país e projetou Paulinho nacionalmente. Foi a resposta que a Portela esperava pelo samba "Sei Lá Mangueira", também de sua autoria, lançada anos antes. A resposta de Paulinho tornou-se um hino de exaltação à sua escola e um dos sambas mais executados em todos os tempos, além de obrigatório em qualquer roda de samba.

CONSTRUÇÃO (Chico Buarque) –
Lançada em 1971, após a volta de Chico de um exílio de dois anos na Itália, e ainda no auge da ditadura militar, “Construção” é uma das mais elaboradas composições já feitas, a letra em si é uma construção, em que as proparoxítonas funcionam como tijolos que podem ser montados e desmontados (“Beijou sua mulher como se fosse a última/ como se fosse a única/ como se fosse lógico”). A poesia primorosa ainda ganhou o apoio vocal do MPB-4 e a orquestração de Rogério Duprat, cujos arranjos sofisticados simulam o tráfego que a morte do operário atrapalha.

AS ROSAS NÃO FALAM (Cartola) –
Cartola só conseguiu realizar seu sonho de gravar um disco em 1974, aos 65 anos de idade. Sua vida conturbada e a falta de oportunidades fizeram com que sua obra só fosse conhecida oficialmente num disco lançado pelo produtor Marcus Pereira. Apesar de ter vários de seus sambas gravados nos anos 1930, viveu praticamente no ostracismo as décadas seguintes até ser redescoberto pelo cronista Sergio Porto (o Stanislaw Ponte Preta) na década de 1970. “As Rosas Não Falam” marca o seu retorno ao disco e o imortaliza dentro da história da MPB.

O BÊBADO E O EQUILIBRISTA (João Bosco/Aldir Blanc) –
A música de João Bosco com letra de Aldir Blanc, gravada em 1979, ficou conhecida na voz de Elis Regina como um hino à Anistia que trouxe de volta ao Brasil exilados políticos perseguidos pela ditadura militar como Leonel Brizola, Miguel Arraes, Fernando Gabeira e o "irmão do Henfil": o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. É justamente com Elis Regina - que abriu o nosso programa de hoje - cantando Carinhoso que encerramos esta primeira edição.

No próximo programa: uma homenagem à Dorival Caymmi.
Amanhã tem Pop do Bom aqui. Confira.